Yvonne P. Mascarenhas
yvonne@ifsc.usp.br
O povo do Sul dos Estados Unidos viveu até meados do século XX sob uma legislação segregacionista extremamente injusta: as leis Jim Brown. Até essa época as populações brancas e negras viviam segregadas praticamente sob todos os aspetos da vida quotidiana educacional, cultural e religiosa. Uma das situações mais deprimentes era a dos transportes coletivos onde, devido às leis vigentes, os negros deveriam ocupar os bancos da parte posterior dos ônibus e ceder o seu lugar aos passageiros brancos caso a zona dos brancos estivesse lotada. Além disso, somente poderiam entrar e sair pela porta traseira embora devessem entrar pela porta dianteira para pagar e depois sair e re-entrar pela porta traseira. Quanto ao transporte escolar apenas era provido para as crianças brancas, as crianças de raça negra deveriam ir a pé para a escola.
Essa e outras medidas segregacionistas eram cumpridas tendo havido apenas poucos protestos que conduziam regularmente à prisão do transgressor. Tudo parecia estar correndo “bem”, até que no dia 01 de dezembro de 1955 Rosa Parks, uma mulher casada, de 42 anos, com ancestrais de várias etnias: afro-americanos, índios Cherokees e irlandês-escocês, se recusou a ceder seu lugar a passageiros brancos e, por essa razão, foi presa. A atitude de Rosa, que já pertencia a movimentos de direitos humanos antissegregacionistas, foi assim um estopim para ações de protesto entre as quais um boicote pela população negra à companhia de ônibus durante 381 dias. Sua luta pelos direitos humanos, principalmente no que se refere aos direitos dos negros americanos, prosseguiu por muitos anos na companhia de importantes líderes como Martin Luther King e atingiu grandes resultados e as leis segregacionistas foram, gradualmente, sendo abolidas em todos os estados americanos!

Comentando sua ação, Rosa afirmou a na sua autobiografia “My Story”, que “Muita gente diz que eu não entreguei meu lugar porque eu estava cansada, mas isto não é verdade. Eu não estava fisicamente cansada, ou pelo menos não mais cansada do que usualmente no fim de um dia de trabalho. Eu não era velha, embora muita gente guarde de mim uma imagem como se eu fosse velha naquela época. Eu tinha quarenta e dois anos. Não, a única coisa de que eu estava realmente cansada era cansada de ceder”.(People always say that I didn’t give up my seat because I was tired, but that isn’t true. I was not tired physically, or no more tired than I usually was at the end of a working day. I was not old, although some people have an image of me as being old then. I was forty-two. No, the only tired I was, was tired of giving in).
O valor de Rosa Parks como cidadã foi reconhecido através de inúmeras honrarias entre as quais podemos citar:
1976 – Detroit renomeou a 12th Street com Rosa Parks Boulevard
1979 – A NAACP premiou Parks com a Spingarn Medal, a sua mais elevada distinção
1980 – Foi-lhe atribuído o Martin Luther King Jr. Award
1983 – Ela foi colocada no Women’s Hall of Fame do estado do Michigan, pelos seus feitos na luta pelos direitos civis
1990 – Parks foi convidada para fazer parte do grupo que deu as boas-vindas a Nelson Mandela, depois de libertado da prisão na África do Sul
1990 – Parks deu o nome a parte da estrada Interstate 475, fora de Toledo, Ohio, que assim a homenageou
1992 – Foi-lhe atribuído o Peace Abbey Courage of Conscience Award, em conjunto com Benjamin Spock e outros, na Kennedy Library and Museum, em Boston, Massachusetts.
1996 – Recebeu do Presidente Bill Clinton a Presidential Medal of Freedom, a maior honraria dada pelo poder executivo do EEUU.

Em 1997 recebeu a Medalha de Ouro do Congresso, onde se vê a legenda “Mother of the Modern Day Civil Rights Movement”.

1998 – Primeira pessoa a receber o International Freedom Conductor Award, dado pelo National Underground Railroad Freedom Center.
2010 – O Doodle (2010): A homenagem marcou o 55º aniversário do histórico ato de resistência de Rosa Parks, quando ela se recusou a ceder seu lugar a um homem branco em um ônibus em Montgomery, Alabama, em 1º de dezembro de 1955.

Seu exemplo deve inspirar o mútuo respeito e a solidariedade entre todos os homens e mulheres, independentemente de suas eventuais diferenças étnicas, econômicas, sociais ou culturais.
Referências
Dilva Frazão: Rosa Parks Ativista norte-americana
https://www.ebiografia.com/rosa_parks/
Womens history: Biography Rosa Parks
https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/rosa-parks
Vida de Rosa Parks
https://en.wikipedia.org/wiki/Rosa_Parks
Doodle do Google como homenagem a Rosa Parks
https://doodles.google/doodle/55th-anniversary-rosa-parks-refuses-to-move
